sexta-feira, 9 de novembro de 2012

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

"Eu gosto do meu quarto
Do meu desarrumado
Ninguém sabe mexer
Na minha confusão
É o meu ponto de vista
Não aceito turistas
Meu mundo tá fechado
Pra visitação..."


segunda-feira, 5 de novembro de 2012


"Eu não tinha este rosto de hoje, 
assim calmo, assim triste, assim magro, 

nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força, 
tão paradas e frias e mortas; 
eu não tinha este coração que nem se mostra. 
Eu não dei por esta mudança, 
tão simples, tão certa, tão fácil: 
Em que espelho ficou perdida a minha face?"

(Retrato- Cecília Meireles)
"Fim de tarde. Dia banal, terça, quarta-feira. Eu estava me sentindo muito triste. Você pode dizer que isso tem sido freqüente demais, ou até um pouco (ou muito) chato. Mas, que se há de fazer, se eu estava mesmo muito triste? Tristeza-garoa, fininha, cortante, persistente, com alguns relâmpagos de catástrofe futura. Projeções: e amanhã, e depois? e trabalho, amor, moradia? o que vai acontecer? Típico pensamento-nada-a-ver: sossega, o que vai acontecer acontecerá. Relaxa, baby, e flui: barquinho na correnteza, Deus dará. Essas coisas meio piegas, meio burras, eu vinha pensando naquele dia. Resolvi andar. Andar e olhar. Sem pensar, só olhar: caras, fachadas, vitrinas, automóveis, nuvens, anjos bandidos, fadas piradas, descargas de monóxido de carbono. Da praça Roosevelt, fui subindo pela Augusta, enquanto lembrava uns versos de Cecília Meireles, dos Cânticos: "Não digas 'Eu sofro'. Que é que dentro de ti és tu? / Que foi que te ensinaram/ que era sofrer ?" Mas não conseguia parar. Surdo a qualquer zen-budismo, o coração doía sintonizado com o espinho. Melodrama: nem amor, nem trabalho, nem família, quem sabe nem moradia - coração achando feio o não-ter. Abandono de fera ferida, bolero radical. Última das criaturas, surto de lucidez impiedosa da Big Loira de Dorothy Parker. Disfarçado, comecei a chorar. Troquei os óculos de lentes claras pelos negros ray-ban - filme... Quem me consola? Quem consola você, que me lê agora e talvez sinta coisas semelhantes? Quem consola este país tristíssimo? Vim pra casa humilde...Mas pergunto inseguro, assustado: a que será que se destina?"(Caio Fernando Abreu- Neblina)

quinta-feira, 14 de junho de 2012

" É realmente como as pessoas dizem a vida é uma caixinha de surpresas, você nunca sabe o que vai sair de lá, as vezes tem sorrisos em meio a lagrimas, as vezes tem lágrimas em meio a sorrisos, as vezes só lagrimas, as vezes só sorrisos... mas venho descobrindo uma coisa importante sobre a vida; as escolhas, são uma delas, a vida te ensina a amadurecer e pra aprender quase tudo que você hoje sabe, digo, das coisas mais simples as mais complexas, de aprender a andar de bicicleta ao cálculo interminável. 
 Você precisou daquelas quedas pelo caminhos, viu seus joelhos ralados quantas vezes? você viu o sangue escorrer e foi chorando pra quem te ensinava dizer que não queria continuar? que tava doendo demais, que tava difícil demais? quantas vezes você desistiu de fazer o calculo de matemática ou física simplesmente porque seu coleguinha tinha feito? é achar um caminho mais fácil é sempre mais proveitoso, pelo menos aparentemente, pois assim digo cada coisa que a vida me ensinou custou um pouco de mim, um pouco de joelho, um pouco de cérebro, um pouco de esforço e força de vontade. Agradeço a quem se dispôs a me ensinar cada coisa, a cada mão que me levantou enquanto eu estava no chão de joelhos ralados e cada pessoa que apagou minha conta errada e disse: "não é assim, tá errado!" perseverança eis a palavra mais bendita entre todas, recomeçar é outra...  começar do zero novamente. Não deu? tenta outra vez, não deu de novo? tenta de novo, e de novo, e de novo...Mas as vezes recomeçar significa apagar tudo e construir de novo, apague o calculo completo, esqueça o joelho, simplesmente finja que a primeira pedalada nunca existiu e você nunca tentou resolver os cálculos, procure novas pessoas que o ensine a fazê-lo e novas maneiras, não procure o cálculo pronto e nem as rodinhas para por na bicicleta, afinal a gente só aprende depois de muito errar " (Gislayne Souza)

sexta-feira, 18 de maio de 2012


"Estranho é que ela já apanhou demais da vida. Essa moça tem relacionamentos estranhos, acho que ela está condicionada a ser uma pessoa substituta. E quem não é? A gente sempre acha que é especial na vida de alguém, mas o que te garante que você não está somente servindo pra tapar buracos, servindo de curativo pras feridas antigas? A moça…ela muito amou, ama, amará, e muito se machuca também. Porque amar também é isso, não? Dar o seu melhor pra curar outra pessoa de todos os golpes, até que ela fique bem e te deixe pra trás, fraco e sangrando. Daí você espera por alguém que venha te curar." (Caio Fernando Abreu)

segunda-feira, 30 de abril de 2012



"Aquela velha história do amigo engarrafado me era completamente aplicável, não havia companhia melhor. Porque eu não desejava conversar, pessoas se preocupam demasiadamente e eu não precisava de especulações, conversas enfadonhas e repetir tudo o que estava acontecendo comigo. Não. Eu não quero falar sobre isso. Isso o quê? Se eu tivesse noção do que era. Acontece que esses dias estão tortuosos e eu não desejo levantar-me daqui, a poltrona já adquiriu o formato do meu quadril e a TV me dá o entretenimento necessário para continuar trancafiada aqui. Sossego é o que eu quero... E eu chorei um oceano inteiro essa noite. Eu precisava esvaziar. Porra eu preciso ser internada." (Caio Fernando Abreu)